A Minha Primeira Maratona

 

PORTO 8 DE NOVEMBRO 2015 9H00

 

HORA DA PARTIDA PARA A PROVA QUE ERA O OBJETIVO PARA 2015.

 

Que posso eu dizer que todos vocês não saibam? Nada. Apenas vos posso dizer que aprendi que é possível correr com o coração, com alma.

 

Durante o percurso senti TUDO, ansiedade, medo, cansaço, desespero, dor e uma euforia que raiou a histeria e me levou até à meta.

 

Eu tinha uma enorme vontade de fazer esta prova e de a terminar mas até ao Km 30 pensei sempre que não iria conseguir. A primeira parte da prova foi horrível, correu-me bem melhor a segunda parte.

 

Pois é meus amigos nunca acreditei que era possível, a minha cabeça é tramada e esta prova foi uma luta enorme entre a vontade e a insegurança, venceu a vontade. Alguém me disse que foram as minhas pernas e vontade que ditaram o resultado final mas posso dizer-vos que não foi tudo…foi a companhia de excelência que tive durante o percurso, a minha madrinha Sandra Simões, nem sei como teve paciência para me aturar a queixar-me a toda a hora e que me ralhou tanto ao ponto de uns companheiros de corrida nos dizerem que a prova não acabava sem que andássemos à tareia e o tratamento de princesa que me foi dispensado, por quem carregou a minha agua e gel, me hidratou e me despejou água pela cabeça para aliviar o calor, os meus FILHOS MARTA e BERNARDO e família que estiveram presentes na fitinha branca que me deram para levar ao pulso e à qual me agarrei nalguns momentos mais difíceis, os amigos que acreditaram em mim e a família RUN 4 FUN à qual pertenço com um enorme orgulho. Refilei, ri e chorei, sofri muito, tive cãibras ao Km 27 que me acompanharam até final, o calor deu cabo de mim, o percurso deste ano era aborrecido com voltas e voltinhas mas nada disso interessa, o que fica é o enorme orgulho de chegar ao Km 42,195.Nunca vou esquecer o Km final, principalmente, a subida para a meta. Ali estavam uma quantidade de espanhóis que me apoiaram gritando o meu nome, batendo palmas, em suma, fazendo- me sentir uma atleta à séria. Ao cortar a meta gritei, chorei e ri e dei aquele abraço a quem me acompanhou…OBRIGADA ficam para sempre no meu coração.

 

Sinto-me tão feliz superei-me e nem imaginam a enorme satisfação que sinto, por ter decidido, há cerca de 2 anos, deixar o meu sofá, ganhei tanta coisa, uma vida nova e o passaporte para fazer parte da “geração gaiteira”. SOU MARATONISTA (já sei que há quem diga que é só à segunda) deixem-me saborear este feito que para mim é enorme.

 

 

 


Marató dels Cims-Andorra

 

Andorra, Marató dels Cims: 42,5 km com 3000 D+. 709 inscrições nesta distância. Com tempos intermédios de passagem ou desqualificação. Subida de um pico com 2800 m.

 

Montanhas, vales, gelo, flores, rochas, água, cascatas, sol, céu azul e festa, durante 4 dias, com milhares de pessoas em Ordino, a "Vila das Pessoas com Ar Saudável".

 

Férias com Amigos, natureza e desporto: perfeição.

 

 http://www.cluberun4fun.com/images/A1.jpg

 

A prova mais dura que já fiz, pela altimetria, a suuuuubir...e a deeeeescer a pique. Morta de medo de não conseguir passar os controlos intermédios porque ouvia a Sónia Tubal e o João Valente, cuja capacidade não se compara com a minha, dizerem que iria ser dificílimo cumpri-los, principalmente porque íamos subir 1000 em 3 km, na fase inicial. Correu bem e cheguei ao primeiro controlo, com 01:30 de folga (eles iam bem mais à frente).

 

A parte mais bonita: um vale com riachos, flores campestres e, ao fundo, montanhas com neve. Sentei-me com as pernas dentro da água gelada do riacho e ingeri e digeri a imagem. A sorrir e a cantarolar o "Abuelito diz-me tu..." https://www.youtube.com/watch?v=JMf_ZOZbqaM (Jazus! Estás tão queimada).

 

 http://www.cluberun4fun.com/images/11665444_10204936518074268_1601328281655461215_n.jpg

 

Subida para Ferreroles e Casamanya, com novo abastecimento e o segundo ponto de controlo; nova subida com uma cadeia rochosa com precipício, a pique, onde tive que guardar os bastões e subir agarrada, com pés e mãos às rochas, com a ajuda de cordas, correntes e um ajudante, rapaz, dos giros (com os 3 conceitos separados, sff, já que isto é mais Into the Wild do que as 50 sombras de cordel)... Com vozes discordantes, eu sei, mas não gosto deste perigo associado: qualquer escorregadela pode ter graves consequências (a subida era feita pelo "caminho" à direita daquelas pernas e o abastecimento era aquele pontinho azul)

 

 http://www.cluberun4fun.com/images/11403492_10204936517954265_8928245945923109391_n.jpg

 

No fim de nova subida -onde a altitude se sente na maior dificuldade em respirar - está o ponto mais alto da prova,  Casanamya, a 2800 m de altitude, com paisagem indescritível. Nova paragem para absorção da vista. Nunca resisto (panorâmica cortada porque tinha um ataque de moscas ao braço)

 

 http://www.cluberun4fun.com/images/11426968_10204936517874263_920184468955842530_n.jpg

 

E, (frase gasta do trail) tudo o que sobe, desce. Só que, a pique. Estava feliz por terem decorrido 25 km sem me esbardalhar. 500 m depois, trufa! Raízes e, Ruben, tirei a conclusão da questão que colocámos algumas vezes: as (minhas) mãos não largam os bastões, não protegem a cara e o nariz bate, de chapa, noutra raiz; isto num trilho a direito e de terra, facílimo. Fiquei com pés enredados nas raízes, inclinada numa rampa, agarrada aos bastões, com dores no nariz, com toda a dignidade no pó, porque tive que ser levantada e "assistida" por 5 (CINCO!) corredores que imediatamente pararam. Nos 500m seguintes caí mais duas vezes. Como a pessoa tem uma vida profissional, da qual até gosta, e não tem direito a baixa médica, teve que se obrigar a andar, até recarregar baterias no abastecimento, sob pena de "Another One Bite in the Dust". Grrrrr custou-me não correr.

 

Último abastecimento aos 30 km, último controle de tempo, com o limite de 8h:30, onde terminou a pressão de ser barrada (o limite final era de 14h). Comi bastante e arranquei decidida a rolar devagar e gozar a paisagem. O Garmin acabou a pilha e perdi a noção da distância e tempo. Recomecei a correr e desci o último pico para passar a meta com lenço de Portugal ao alto e a laranja vestida.

 

Amigos à espera, na meta, com sorriso na cara é o Mega Prémio. Descobrir que Amigos nos seguiam online, e que se preocupavam, é outro Mega Prémio. Espanhóis aos gritos, chamando-nos campeóna e sem parar de aplaudir é fantástico, mesmo que sigamos em último lugar da prova. E não fui a última. 10h.03 e 466º lugar em 709, 27ª de 49, no escalão e 76ª de 129, no escalão feminino. Mas mais importante do que isso: participar, com a benesse de acabar, fisicamente bem e com prazer, e a sensação de estar mais rica de imagens, de sensações, de beleza natural e de solidariedade humana, traduzem a classificação que quero. Ao que acresce a superação pessoal, numa prova onde conversei em francês, espanhol, portunhol, inglês com outros participantes desconhecidos, porque a boa loucura não tem fronteiras nem nacionalidades.

 

Ultra Mega Prémio - todos acabámos bem: o João Mota nos 170 km e com um andar…diferente; o Nelson nos 83 km, onde ainda foi solidário, apoiando uma corredora espanhola com dores de estômago, nos últimos km, a Sónia e João nos 42,50 km; a Sofia e o Miguel no Solidaritrail. Infelizmente, o mentor desta aventura, o Nuno Gião, sofreu entorse na prova dos 112 km e teve que desistir mas esperou por todos nós, na meta, onde esteve das 15h às 21h, de bandeira portuguesa nas mãos. A vingança "es una tapa" que se serve fria...no ano que vem (obrigada pela sugestão da prova e por todo o trabalho na organização da viagem). Mas de todos me lembrava nos momentos mais durinhos. E nos momentos bons! São os MAIORES!

 

 http://www.cluberun4fun.com/images/11217810_10204936516794236_7911842868889330531_n.jpg    http://www.cluberun4fun.com/images/11709437_10204936517034242_1807212786425380559_n.jpg     http://www.cluberun4fun.com/images/11148609_10204936516914239_4423713351902483633_n.jpg

 

Ambiente antes, durante e após a prova: FIESTA! Gente com ar saudável, desportista a encher as duas ruas de Ordino, a apoiar e a ser apoiado. Disparates e refilices nas viagens e na estadia...reza assim a tradição.

 

 

Tive que impingir mais um longo relato a quem tiver pachorra de ler mas não consigo concentrar mais as palavras e não consigo deixar de partilhar as sensações que estas provas nos dão. E cada vez menos gosto menos de estrada.

 

 

Amigos da Garça não há Tulicreme! Desta vez, só se for no pão

 

Maratona de Eugene, OR, USA

Os portugueses de Seattle voltaram a participar na maratona de Eugene no dia 10 de Maio de 2015.

Em 2014, os organizadores da Maratona de Eugene decidiram mudar a data do evento para coincidir com o campeonato mundial júnior de atletismo, que ocorria pela primeira vez nos Estados Unidos.

A maratona+meia tinha quase duplicado o número de participantes desde 2007 a 2013, mas sofreu com a alteração temporária para o Verão e ainda não conseguiu recuperar apesar de ter retornado para a data anterior. Este ano teve pouco mais de 3 mil participantes.

O grupo de portugueses de Seattle foi um pouco mais pequeno este ano, refletindo a participação geral, mas adicionou mais um maratonista, o Alexandre Moura, que completou este ano a maratona inteira em 4:51:51.

Alex
Alexandre Moura

Meia-maratona:

Jorge Tiago
Jorge Ferreira e Tiago Ferreira

 

Ioana e Christina Jorge Russo
Ioana Butoi, Christina Ferreira, Jorge Russo dos Santos e filhos

 

 

Kids 1k: Sam Ferreira, Lucas Ferreira, Beatriz Coutinho dos Santos, Rui Coutinho dos Santos e Hugo Coutinho dos Santos.

Pre-race
Pre-race exuberance
Post-race
Post-race exhaustion